Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Deputados estaduais passarão a ter emendas impositivas no Orçamento do ES

Assembleia Legislativa aprova a jato, em dois turnos, PEC que obriga o governo a executar as emendas individuais dos deputados no orçamento estadual. Valor para cada um poderá chegar a cerca de R$ 15 milhões (cinco vezes mais que o atual)

Publicado em 13 de Outubro de 2026 às 18:31

Públicado em 

13 out 2026 às 18:31
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Plenário da Ales
Plenário da Ales Ales

Foi tudo muito rápido. A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) aprovou nesta terça-feira (13), em plenário, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui o pagamento de emendas individuais impositivas, a serem definidas pelos próprios deputados no Orçamento do Estado. Pelas nossas contas, cada deputado poderá destinar até R$ 15 milhões em emendas (cinco vezes mais que o valor atual).


> Clique aqui e receba em primeira mão a Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp


A PEC foi apresentada pelo presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), nesta terça-feira mesmo, e assinada por dezenas de outros deputados. Conforme consta no sistema de consulta pública da Ales, foi protocolada às 15:54 (com a sessão já iniciada).


Por se tratar de PEC, o texto não carece de sanção do governador. Amanhã mesmo, deve ser promulgado por Marcelo Santos e passará a valer.

Também por se tratar de PEC, a proposta precisava ser aprovada em dois turnos, com um número mínimo de discussões e intervalo regimental de algumas sessões entre as duas votações. Para garantir a aprovação no menor tempo possível, num esforço concentrado, o presidente convocou várias sessões ordinárias em sequência, nesta mesma tarde. As sessões foram realizadas uma atrás da outra, separadas por poucos minutos.


Pelo que a coluna apurou, quando Marcelo pautou a votação, não havia acordo com o Palácio Anchieta em relação à PEC.


Até hoje, no Espírito Santo, o Governo do Estado reserva uma parte do orçamento anual para que cada um dos 30 deputados possa definir a destinação dos recursos até um determinado valor, por meio de emendas parlamentares incluídas durante a tramitação da peça. No orçamento em execução neste ano, cada deputado pôde alocar R$ 3 milhões em emendas individuais.


Mas o governo não é obrigado a executar essas emendas. Fica a critério do Poder Executivo pagá-las ou não.


Esse é o ponto-chave da PEC. Com a mudança, o governo ficará obrigado a executar na integralidade as emendas orçamentárias de cada deputado – daí o termo “impositiva” –, a partir do ano que vem.


Como diz a ementa da proposta, a PEC “estabelece a execução obrigatória das programações orçamentárias decorrentes de emendas parlamentares individuais”.


De acordo com o texto aprovado, as emendas individuais apresentadas pelos deputados estaduais ao projeto de lei orçamentária anual serão aprovadas no limite de 1,55% da receita corrente líquida anual do exercício anterior ao do encaminhamento do projeto, “assegurada a distribuição igualitária do montante entre os parlamentares”.


A proposta também estabelece que, do montante total, metade deverá ser destinada a ações e serviços públicos de saúde, vedada sua aplicação no pagamento de pessoal e encargos sociais.


Outro trecho do projeto não deixa dúvida quanto à obrigatoriedade da execução:


“É obrigatória a execução orçamentária e financeira das programações decorrentes das emendas individuais aprovadas”, em montante correspondente ao limite estabelecido, dentro do próprio exercício financeiro a que tais emendas se referem.


Além da instituição da execução impositiva, o que se destaca no projeto é a elevação do valor.

O montante

Pelas nossas contas, quando a emenda constitucional entrar em vigor, cada deputado terá algo em torno de R$ 15 milhões em emendas individuais para alocar no orçamento estadual.


Em 2025, a receita corrente líquida do Estado foi de cerca de R$ 28,1 bilhões. A fração de 1,55% corresponde a cerca de R$ 435 milhões (para os 30 deputados). Dividindo-se o montante por 30, cada um teria em torno de R$ 15 milhões.


Como diz o texto da PEC, 1,55% é um limite. Mas, em tese, a “quota” de cada parlamentar poderá chegar a esse valor, cinco vezes maior que o atual.

Como votaram os deputados

A PEC foi aprovada em dois turnos após aprovação por unanimidade do parecer pela aprovação do relator na Comissão de Finanças, o presidente do colegiado, deputado Mazinho dos Anjos (MDB) – reeleito no último dia 4.


No primeiro turno de votação, dos 26 deputados presentes, 22 votaram a favor, Marcelo Santos se absteve (por ser o presidente), e só três votaram contra a PEC: Alcântaro Filho (Republicanos), Camila Valadão (PSol) e Lucas Polese (PL).


Faltaram à sessão: Bruno Resende (União), Iriny Lopes (PT), Pablo Muribeca (Republicanos). Denninho Silva (União) está em licença.


Já na segunda votação, a única diferença foi a presença da deputada Iriny Lopes, que compareceu e votou contra a matéria, assim como Alcântaro, Camila e Polese.

Justificativa

Ao conduzir uma das sessões, Marcelo Santos afirmou que a PEC partiu de uma “provocação do ministro Flávio Dino a todas as Assembleias Legislativas brasileiras e Câmaras Municipais, tendo em vista a questão de emendas ao orçamento”.


Após a aprovação definitiva, ele foi muito parabenizado pelo deputado reeleito José Esmeraldo (União): “Você fala e cumpre”.


Já a justificativa oficial anexada à PEC diz o seguinte: 


“A iniciativa busca conferir maior efetividade à participação do Poder Legislativo na elaboração e execução do orçamento público estadual, em consonância com os princípios constitucionais que disciplinam o processo legislativo orçamentário e com o modelo de orçamento impostivo instituído no âmbito federal”.


Segundo fonte da Assembleia, a Casa foi notificada por Dino, como todas as Casas Legislativas do país, para se adequar ao modelo praticado pelo ente federal. No Congresso, as emendas são impositivas, com 1,55% da receita corrente líquida da União no ano anterior destinada às emendas dos deputados federais e 0,45% às dos senadores (totalizando 2%).

De acordo com a justificativa da PEC, “a jurisprudência do STF reconhece a necessidade de observância, pelos estados, das normas constitucionais federais que estruturam o processo legislativo orçamentário, de modo a preservar a harmonia e a coerência do sistema constitucional”.

Cena Política

Ao convidar os colegas a votar a PEC em segundo turno, Marcelo (talvez pelo hábito, talvez pela pressa) já foi puxando a votação simbólica: “Todos a favor, permaneçam como estão...” Foi lembrado pelo corpo técnico da Mesa que, por se tratar de PEC, a votação era nominal e o painel deveria ser aberto para registro dos votos. Assim foi feito. 

Leia mais colunas de Vitor Vogas

Pazolini versus Ricardo (O Debate): a “trocação” no duelo final na TV Gazeta

Deputados aprovam “reserva específica” para pagamento de suas emendas

Ricardo abre a caixa de ferramentas e vai com tudo para o ataque

“O homem por trás de Pazolini”: vitórias como articulador; revés como candidato

Assembleia aprova regulamentação de emendas impositivas para deputados

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ryu construiu uma carreira marcada por romances sobre conflitos sociais e a sociedade japonesa
Ryu Murakami, escritor de 'Azul Quase Transparente', morre aos 74 anos
Acidente aconteceu na quinta-feira (22)
Mulher morre em acidente entre moto e carreta na BR 259 em João Neiva
A atriz Meghan Markle
Meghan Markle se diz profundamente abalada por acusações contra o pai

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.